Pedro Barroso: "Do ouro como investimento e porto de abrigo"

Uma das principais histórias nos mercados financeiros no último ano foi a subida do preço do ouro em cerca de 70%, atingindo valores recorde. Houve episódios de milhares de pessoas em filas de espera durante horas para adquirir este ativo de refúgio. Este comportamento levanta interrogações sobre o estado da economia mundial: como interpretar esta subida e qual a real utilidade do ouro para os investidores?

A causa mais apontada para a valorização tem sido o risco geopolítico, nomeadamente a incerteza sobre as políticas da nova administração americana e a possibilidade de a União Europeia confiscar ativos russos. Alguns participantes no mercado (como Ray Dalio da Bridgewater) interpretam a subida como um sinal de desconfiança nas dívidas soberanas e no dólar como moeda de reserva. O ouro oferece a vantagem de ser um ativo sem risco de contraparte, e a sua procura tem sido sustentada por compras recorde de bancos centrais. Serve também como diversificação num contexto de avaliações elevadas noutras classes de ativos, embora os retornos recentes possam estar a gerar procura especulativa por via de extrapolação.

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do Observador de 24 de janeiro de 2026.