Miguel Gouveia: "Como pagar a políticos"

Começo com duas histórias breves, uma pessoal e outra pública. Há uns anos, fui professor convidado numa universidade americana. Um dia, uma senhora, mais formalmente vestida do que é habitual nos departamentos universitários americanos, bateu à porta do meu gabinete, pediu para entrar, fechou a porta e identificou-se como agente do Secret Service. Perante o meu espanto, imediatamente me disse ao que vinha: um antigo colega meu, o “Frank”, tinha-se candidatado a uma posição na divisão “Antitrust” do Departamento da Justiça dos EUA e ela estava a investigá-lo como parte normal do processo de avaliação interna da candidatura, o que nos EUA é conhecido como “vetting”. Seguiu-se um interrogatório simpático, mas minucioso e exaustivo sobre o carácter, percurso e reputação do Frank.

A segunda história é conhecida: entre 1985 e 2005 vários políticos portugueses passaram a receber subvenções vitalícias por terem desempenhado cargos no Governo ou no Parlamento. Surpreendentemente, tais subvenções mantêm-se mesmo após condenação criminal do titular.

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do Observador de 6 de março de 2026.