Luís Pina Rebelo: "A Sustentabilidade do SNS: “A César o que é de César!”"

Durante mais de uma década, perguntei aos meus alunos de pós-graduação (na sua maioria, médicos), o seguinte: “Quem gere o SNS? Quem define a sua Estratégia?” Seguiam-se uns minutos de silêncio… como aqueles que se fazem em memória de alguém querido que partiu. Eu provocava: “É que ‘o privado’ define bem a sua estratégia.”

Algo perplexos, alguns “a coçar a cabeça” lá arriscavam responder, a medo: “O Ministério da Saúde?… o das Finanças, também?”. Na sua grande maioria, acabavam por concluir: “Ninguém!”.

Essa década correu, e foi após o início dum dos maiores fluxos migratórios da história de Portugal (o dos médicos para o setor privado, bem entendido), que com alegria, arriscaria mesmo dizer esperança, ouvi pela primeira vez a notícia de que iriam nomear uma Direção Executiva para o SNS, uma equipa de gestão liderada por um gestor. Até lhe chamavam, temerariamente, “CEO”, tendo o primeiro de sua linhagem sido nomeado a 1 de outubro de 2022! Nomeado foi… a autonomia estratégica para, de facto, gerir o SNS é que acabaria por chegar quase um ano depois… com a Lei de Bases do SNS.

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes da revista VISÃO de 2 de julho de 2025.