Fernando Ilharco: "Suficientemente bom"
John Goodenough, cientista norte-americano e professor da Universidade do Texas, faz 99 anos para a semana. Há dois anos foi distinguido como Prémio Nobel da Química, pelo seu trabalho no desenvolvimento das baterias de filio, hoje uma tecnologia essencial nas comunicações móveis e nos carros eléctricos.
Talvez o apelido Goodenough seja modesto para um exemplo de trabalho e de longevidade tão notável. Vale a pena, contudo. lembrar que ser suficientemente bom, geralmente, é mesmo ser bom o suficiente para se atingir os objectivos. O resto, essencial de igual maneira, é a persistência, adeterminação e o passartempo.
Nada que pareça ter faltado a Goodenougb. Oregisto dos Prémios Nobel, no entanto, mostra que na questão da idade ele não está isolado.A idade média dos vencedores dos Nobel é de 60 anos. Há mais vencedores de Prémios Nobel depois dos 80 anos de idade do que antes dos 35 anos.
É certo que muitos deles fizeram as descobertas quejustificaramadistinção muitos anos antes, mas ainda assimteriam,10, 50 ou 60 anos de idade. A ideia comum de que o empreendedorismo, a inovação e o sucesso são típicos dajuventude não é rigorosa A idade não é o essencial para o sucesso, evidentemente.
O essencial tem de ser algo característico do que se faz, e que tem sucesso. Um estudo do National BureauofEconomicResearch, dos EUA, mostra que é mais provável uma pessoa ter sucesso num nov projecto aos 50 anos deidade do que aos 30 anos. O sucesso depende da aprendizagem, das tentativas que se fazem e do acaso.
Ora, os jovens tentam muito mais vezes dogue as pessoas mais velhas e, por isso,, acertam mais vezes em termos absolutos. E por isso, e também por causa do mito dojovem empreendedor, que há mais histórias de empreendimentos de sucesso protagoniza das porjovens do que por pessoas mais velhas.
Nota: Pode ser o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 16 de julho de 2021.
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