Fernando Ilharco: A grande separação
O ser humano é o ser vivo mais inteligente e mais auto-consciente de todas as espécies vivas, ou assim o cremos desde há muito. Na evolução da vida, a inteligência e a consciência têm andado juntas, mas com a emergência recente da inteligência artificial elas "estão a separar-se," como comenta Yuval Harari, historiador israelita, na obra Homo Deus. A inteligência artificial avançou muito nas últimas décadas,"mas na consciência artificial o progresso foi zero". Aqui e ali, de vez em quando, ouve dizer-se que um ou outro sistema mostrou algum tipo de sensibilidade, alguma noção de si mesmo, mas trata-se apenas de suspeitas, aliás geralmente desmentidas pelas entidades responsáveis.
No ChatGPT, no robô Sofia, ou noutros sistemas de inteligência artificial, o desempenho simula a actuação humana. Há, no entanto, uma diferença importante: o sistema não sabe que sabe, não sente coisa alguma, não tem a noção de si mesmo, não temvontade própria - nem muito nem pouco, nada.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 7 de março de 2023.
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