Alberto Castro: "Fazedores"

Em Portugal, o emprego jovem é de baixa qualidade e o desemprego afeta, sobretudo, os mais jovens o que se reflete numa taxa de desemprego das mais altas entre os países europeus. São factos. Em Portugal, queixamo-nos da elevada emigração de jovens qualificados. A queixa é um facto; o peso da emigração jovem, porém, não difere muito de outros países europeus. Os patrões queixam-se de falta de mão-de-obra (mais ou menos qualificada, consoante os casos). Os sindicatos lamentam o aumento dos despedimentos. A taxa de desemprego agregada mantém-se alheia a polémicas.

Não é preciso ter o coeficiente de inteligência de Trump para achar que isto é capaz de estar tudo ligado. Se aquilo a que podem aspirar é um emprego precário e mal remunerado, qual é a surpresa que os jovens “se manifestem com os pés”? Em rigor, talvez seja mais estranho que ainda haja uma percentagem tão elevada que não o faz. Entre os que ficam, há os que não trabalham, nem estudam e não se conseguem libertar de um círculo vicioso, em que não há nenhum elevador social que funcione. 

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