Dia Mundial do Cinema
Todos secretamente sabemos que os dias internacionais disto e daquilo, mais do que uma comemoração ou lembrete do que parece importante e acreditamos que não deve ser esquecido, escorregam, de hashtag em hashtag, para uma zona de Black Friday, em que as grandes causas motivam pequenos descontos tão solidários quanto atrativos em pipocas, ramos de flores, peluches, pacotes de escapadinhas insólitas, todo o tipo de bugigangas alusivas e temáticas. O cinema, como não podia deixar de ser, não escapa a esta febre da celebração sem que saibamos muito bem o que estamos exatamente a comemorar. Esta é a primeira questão que se impõe: o que celebra o dia internacional do cinema? A frequência das salas, numa era em que a maior parte de nós vê filmes em casa? A capacidade que o cinema tem de nos emocionar, quando vemos dilemas das nossas vidas ou do nosso tempo a serem projetados contra uma parede?
Seja qual for a pergunta ou a resposta, no que nos diz diretamente respeito, se quisermos que o cinema português continue a existir, a ser capaz de produzir uma cinematografia a que possamos chamar própria, é necessário apoiá-lo. Se ainda há quem se pergunte porque é que vale a pena continuarmos a ter financiamento público numa área que dificilmente poderá garantir, pelo menos diretamente, o retorno financeiro do investimento, o problema – e a questão – não deveria colocar-se no plano económico, mas político.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes da revista Visão de 6 de novembro de 2024.
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