A vida pós-Covid nos mestrados e nos MBA

A pandemia de covid-19 está a transformar todos os setores e o da Educação não é exceção. As instituições de ensino superior nacionais, em particular as escolas de negócios, foram obrigadas a adaptar rapidamente a sua formação às novas exigências. E muitas mudanças vieram para ficar. É o caso dos sistemas híbridos, que conjugam aulas presenciais e à distância, mas há também ofertas inovadoras, como um MBA totalmente digital. 

O médico oftalmologista Luís Torrão tinha há vários anos vontade de fazer um MBA, mas foi graças à pandemia que decidiu avançar. Desde outubro, é aluno do primeiro Masters of Business Administration (MBA) totalmente digital em Portugal - o The Digital MBA, da Porto Business School (PBS), cuja oferta continua a passar também pelos tradicionais MBAs executivo e internacional. "A pandemia e o facto de ter surgido o MBA digital foram a faísca necessária para avançar", confessa o clínico de 45 anos, indicando como fator decisivo para a sua escolha "o formato mais flexível e com competências mais orientadas para o mundo digital". E garante que o networking, tão importante neste tipo de programas, não foi prejudicado.

Há mais reuniões e encontros digitais "porque não existem os constrangimentos de se deslocar ou sair de junto da família; explica. O The Digital MBA - que já estava a ser preparado, mas cuja concretização foi antecipada devido à pandemia - conta com uma turma de 35 alunos, a maioria dos quais portugueses espalhados pelo mundo, mas também do Interior do País, "pessoas que queriam um MBA em português, em Portugal, e que não tinham alternativas", explica a diretora do curso, Rosário Moreira. "Não devemos perder os nossos afetos, o contacto físico com os colegas. O que eu digo é que o digital é diferente. Não é melhor nem pior".

Já a diretora executiva do The Lisbon MBA Católica | Nova, Maria José Amich, afirma manter o foco no programa presencial. No entanto, destaca como um aspeto positivo da transição forçada, mas temporária, para o online "o enorme reforço de webinars com executivos de topo" a nível global. "Conseguimos ter a presença de pessoas que de outra forma não seria possível. Além disso, afirma, "os professores estão também disponíveis online para responder a questões e fazer reuniões com os alunos, e isso não era tão usual".

Tendo em vista a melhoria das capacidades de gestão, assim como salários mais altos, a formação executiva continua a fazer todo o sentido e, segundo Maria José Amich, a crise económica provocada pela pandemia não teve qualquer reflexo negativo na adesão dos alunos ao The Lisbon MBA, que engloba dois programas - internacional e executivo - numa colaboração entre a Nova BSE, a Universidade Católica de Lisboa e o MIT Sloan, e é "o único em Portugal que está no ranking do Financial Times e do The Economist". 

Nota: Pode ler o artigo completo na edição impressa da Visão de 27 de maio de 2021.