A “vã glória” de os políticos tentarem condicionar a História

As declarações do primeiro ministro, António Costa, foram interpretadas como uma tentativa de desvalorizar as críticas que o antigo chefe do Governo e ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva lhe dirigiu no artigo de opinião Fazer mais e melhor, publicado no Observador, a 1 de Junho. Questionado por jornalistas, António Costa aÆrmou: “Cavaco Silva preocupa-se com o seu lugar na História; eu estou preocupado, sobretudo, com o futuro dos portugueses.

A ironia do primeiro-ministro é explicada ao P2 pelo sociólogo António Barreto, ao lembrar que, “dentro do que se chama insultos políticos, um dos mais finos é o que diz que o político não vai ficar na História ou que vai ficar como nota de pé-de-página”. Mas ainda que tivesse sido uma menorização da importância que têm hoje as opiniões e as reflexões de Cavaco Silva, a questão ficou no ar: até que ponto pode um político influenciar ou mesmo determinar a imagem que de si fica para a História?

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Por seu lado, José Miguel Sardica, professor da Universidade Católica, historiador e biógrafo, declara ao P2 que “nenhum político pode dizer: ‘Eu vou controlar a maneira como entro para a História.’ Isso é impossível, mesmo escrevendo memórias.” E avança com o exemplo de Napoleão Bonaparte, que “vivia obcecado com a imagem de que de si ficaria para a História”.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Público de 31 de Julho de 2022.