Um ano de esperança e retoma à boleia da vacina

Depois de um ano marcante, em que a pandemia trouxe uma grave e profunda crise económica e social como há décadas não se via, a chegada das primeiras vacinas oferece um vislumbre da normalidade pré-Covid. Ainda assim, a aceleração digital e tecnológica vivida este ano veio para ficar. 

Se fizéssemos a mesma pergunta, no final de 2019, muitos diriam que os maiores desafios para a economia seriam o Brexit e a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China; o aumento do preço do petróleo e o abrandamento económico na China e na Europa; a fraca capacidade dos bancos centrais para poderem intervir na economia e a elevada dívida dos países. Sabemos que o futuro foi diferente. Passámos o ano – e ainda estamos a tentar perceber como reagir a esta pandemia, o que só dá razão a quem diz que fazer previsões económicas a mais de seis meses é atrevimento. O ano de 2021 continuará a ser marcado pela Covid 19. O seu impacto na economia, na sociedade, nas famílias e nas empresas vai continuar. Mas vai também ser um ano de recuperação económica.

Ainda que neste momento o otimismo não seja um sentimento maioritário, é fundamental pensar em medidas para acelerar o momento de viragem da economia. Medidas que continuem a fazer uma transição da nossa economia para o digital, um dos poucos impulsos positivos que saiu desta crise; e que protejam e estimulem o investimento produtivo, sendo que uma correta aplicação dos fundos comunitários é essencial. Se calhar era preferível aplicar os fundos comunitários em reformas e medidas transversais, como a de baixar a carga fiscal (que em Portugal absorve cerca de 20% do volume de negócios das empresas) ou apostar numa verdadeira qualificação e requalificação dos nossos recursos humanos, para dar resposta ao desafio da transição digital.

Até porque todos os outros desafios, para alem da Covid-19, vão continuar a precisar de respostas. SUSANA PERALTA Economista e professora da Nova SBE Que a vacina funcione razoavelmente bem, que consigamos com isso encontrar alguma normalidade, ainda que não espere que tenhamos uma vida como em 2019. Acho que continuaremos com restrições de mobilidade e contacto, mas que encontremos alguma normalidade e assim consigamos recuperar a economia. Espero que seja um ano de crescimento económico, ainda que não de recuperação total da economia, e que se consiga guardar o ano letivo até ao fim, algo em que tenho uma certa confiança porque, até agora, as aulas correram bastante bem. Pode ser que no verão consigamos recuperar algum turismo, com a confiança acrescida da vacina. Estou preocupada com os países mais pobres e as consequências verdadeiramente devastadoras da crise, porque os gastos que conseguiram ter para ajudar as economias foram muito mais baixos do que nos países mais ricos.

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Nota: Este é um artigo colaborativo que conta com vários autores:

JOÃO BORGES DE ASSUNÇÃO | Economista e coordenador do Católica Lisbon Forecasting Lab | NECEP;
PEDRO MOTA SOARES | Sócio da Mota Soares & Associados, Sociedade de Advogados;
SUSANA PERALTA | Economista e professora da Nova SBE;
MIGUEL LEITMANN | CEO Vision-Box.