Três perguntas a Francisca Guedes de Oliveira
1 . Acha que este é um Orçamento de austeridade, como diz a direita?
Não acho que seja um Orçamento de Estado de austeridade, como tivemos no passado, no período da troika. O discurso da direita tem sido devido à perda do poder de compra pela inflação, mas tal não faz do Orçamento para 2022 um orçamento de austeridade. Há medidas sociais no campo da educação, da saúde, na alteração dos escalões do IRS, no aumento das pensões, cujo objectivo é aumentar rendimentos. Não são medidas de austeridade e medidas de contracção pelo lado da despesa. No entanto, este não é um Orçamento de Estado claramente expansionista, há o devido cuidado com o défice e a dívida, seguindo, aliás, o programa do Governo.
2. Considera que faltam algumas medidas a este Orçamento de Estado?
Tenho dificuldade em falar de medidas concretas. Acho, contudo, como tem faltado nos últimos dez Orçamentos de Estado, que falta indústria, que não depende das políticas públicas, mas da iniciativa privada. Temos um desinvestimento desde os anos 80 [do século passado] em produtos transaccionáveis, apostámos muito nos serviços, e os transaccionáveis fazem falta ao país. Sei que é difícil fazer isso com políticas públicas, que temos problemas de capitalização e dimensão, insisto que não se pode fazer tudo com políticas públicas, mas seria um sinal. Noutro aspecto, continuo a considerar que há uma falta de clareza sobre os benefícios fiscais, que precisam de racionalização e clareza.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Público do dia 16 de abril de 2022.
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