A transição digital e a inovação social não são nossas amigas?
O conceito de transição digital vem sendo anunciado, há já alguns anos, como uma progressiva e incontornável realidade para múltiplos setores da sociedade. A pandemia veio acelerar a sua introdução em diversas vertentes, e isso tem também feito levantar outras tantas questões. A conjugação da tecnologia com a inovação social e as oportunidades geradas por esse movimento são o tema central do Switch to Innovation Summit, uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Valongo e pela CDI Portugal, entre hoje e amanhã.
Na opinião de Filipe Santos, reitor da Católica Lisbon School of Business & Economics, uma das vantagens das tecnologias digitais reside, precisamente, na capacidade que estas podem ter para ajudar a resolver assuntos de índole social. "A inovação social, normalmente, nasce da perceção de problemas concretos das comunidades. O que a tecnologia traz é um potencial de alcance e de escalabilidade das soluções muito diferente do que era possível e que permite inovações sociais, como novas plataformas de acesso remoto à saúde ou a criação de comunidades de interesses que partilhem recursos e resolvam problemas", comentou o académico.
Num âmbito mais local, ao nível das autarquias, a questão da digitalização pode servir enquanto ferramenta eficaz de auxílio aos munícipes, mas isso não será suficiente se não houver uma mudança mais alargada em termos de organização. A ideia é defendida por Carlos Oliveira, presidente-executivo da Fundação José Neves: "O objetivo deve ser resolver os problemas dos cidadãos com menos esforço e maior velocidade. Para isso, é preciso alterar a cultura organizacional porque, por si só, a tecnologia não vai resolver isto".
Estas transformações sociais por via tecnológica manifestam os seus efeitos, igualmente, no campo empresarial. De tal forma que, para Luísa Ribeiro Lopes, coordenadora-geral do programa Incode.2030, "quer as empresas quer as pessoas não podem estar afastadas do digital". No seu entender, a preponderância deste fenómeno é tanta que pode estabelecer-se uma correlação entre a resiliência dos empreendedores e o seu grau tecnológico. "Cidadãos e empresas com maior capacitação digital têm maior resistência às crises. Aliás, um estudo das Nações Unidas mostrou que os três países com maior resiliência à crise pandémica foram aqueles com maior nível de digitalização: Estados Unidos, Finlândia e Dinamarca".
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Notícias de 17 de junho de 2021.
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