Trabalho: competências e precaridade são principais desafios
O reforço das competências dos trabalhadores e a limitação da precaridade são dois dos principais desafios para o mercado de trabalho português, de acordo com os participantes na conferência sobre “políticas públicas de emprego”, promovida pelo Jornal Económico e pela Multipessoal.
Não são os únicos, porque o decisor político terá de enquadrar a digitalização do trabalho, definir uma estratégia para a imigração e, também, Estado e empresas terão de encontrar formas de reter talento, para que a economia possa desenvolver-se. Para a diretora do PROSPER , Center of Economics for Prosperity da Católica Lisbon, Joana Silva, a primeira linha do desenvolvimento do mercado de trabalho depende das empresas, da capacidade de criarem riquezas e, por essa via, postos de trabalho.
Diz que o aumento das competências é uma necessidade, mas avisa que tem de ser “uma qualificação se traduza em valor acrescentado e produtividade” e numa adequação dos empregos às competências. Pedro Marques, eurodeputado do PS, ex-ministro do Planeamento e das Infraestruturas e antigo secretário de Estado da Segurança Social, considerou que já foi feito um “caminho enorme na questão das qualificações, do lado das qualificações básicas do lado da escola”, mas que falta, agora, a requalificação de quem já está no mercado.
“Ainda temos muita gente ainda no mercado de trabalho que não beneficiou desse aumento de qualificação”, disse, apontando que as metas europeias para a formação serão um incentivo para uma formação que tem de resultar numa dupla certificação, profissional e escolar. Joana Silva acrescenta que a formação tem, também, de ter aplicação no emprego, “traduzir-se numa melhor performance do trabalhador” e estar “diretamente relacionada com o salário dessa pessoa que melhorou”.
André Ribeiro Pires, chief operating officer da Multipessoal, referiu, pelo conhecimento que tem do mercado, que as empresas se mostram disponíveis para investirem em formação, desde que “necessária para a sua laboração”, enquadrada num modelo que seja ágil e que ermita não só a formação, mas também a capacidade de reter talento, incluindo definir uma estratégia para a imigração.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal Económico de 02 de julho de 2021.