Teresa Oliveira: "Relações problemáticas nas equipas: um problema ou um sintoma?"
Numa sessão de coaching recente, um cliente relatava as suas dificuldades de relação com a hierarquia. Considerava esta pessoa bastante desorganizada e pouco focada nas prioridades. "Pede-me coisas em cima do prazo", referiu com irritação, "Não entendo como uma pessoa assim pode ter um lugar com esta senioridade". "Em que medida as características da vossa organização podem explicar este tipo de comportamento?" perguntei. "Nada, as outras pessoas cumprem, o problema é esta pessoa", respondeu. "Há pouco disse-me que, numa situação específica, toda a equipa, C-level incluído, tinha estado a trabalhar até bastante tarde para cumprir um deadline. Haverá algo na forma como organizam o trabalho que também pode explicar este tipo de situações?". "Sim, é verdade. Às vezes, há outros atrasos". O insight do meu cliente permitiu levar a conversa para um outro nível: das dificuldades de relação entre duas pessoas evoluímos para a descoberta de formas construtivas de lidar com alguns processos de trabalho, que se tornam especialmente ineficientes quando é necessária a colaboração entre ambas.
Ao longo dos anos, no meu trabalho com pessoas e equipas, tenho encontrado e vivido situações semelhantes: quando há problemas de performance nas equipas, focamo-nos frequentemente na dinâmica das relações entre pessoas. Rapidamente podemos considerar que uma ou duas pessoas são o problema, sem nos questionarmos sobre disfunções no sistema onde estamos inseridos, que alimentam e perpetuam estas dificuldades.
O foco nas dinâmicas internas de uma equipa pode explicar o impacte limitado de muitas intervenções de team building: melhorar a relação entre as pessoas é crucial, promover a reflexão e a aceitação das diferenças dentro da equipa é crucial, co-construir processos de trabalho é crucial. A questão é: até que ponto a equipa procura melhorar as suas dinâmicas internas tendo como ponto de partida a razão de ser da sua existência na organização? Até que ponto a equipa procura melhorar a sua cooperação interna tendo como pano de fundo as expectativas e o feedback dos seus stakeholders?
Leia o artigo completo de Teresa Oliveira, Co-coordenadora do programa Leading and Energizing Teams for Performance da Católica Lisbon School of Business & Economics, no site do Observador.
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