‘Só se derrota o populismo respondendo às preocupações das pessoas’
Afirma que «Portugal é um vício e a política portuguesa é um vício ainda maior.». Para um “opinion maker”, sobre o que é mais desafiante escrever: a sociedade ou a vida política?
Sempre gostei muito de ópera, razão pela qual, sempre que posso, dou um salto a Itália. Mas como não posso estar sempre lá, Portugal é a segunda melhor escolha para quem gosta de política de faca e alguidar. E é por isso que é um ví - cio acompanhar a política portuguesa, os seus personagens e os seus melodramas. Por isso, a relação que tenho com o país é, ao mesmo tempo, lírica e romanesca. A sociedade civil portuguesa é fraca e, quando muito, funciona apenas como fi - gurante. Os atores principais são aqueles que se penduram no Estado ou que dele dependem.
Critica que se fale muito do 25 de abril, mas aponta que são vários os sinais que ainda não saímos de 24. Pode partilhar algum exemplo?
O maior sinal de que não saímos do dia 24 de abril de 1974 é o facto de ainda não termos absorvido plenamente o conceito de pluralismo político. A ideia de que numa sociedade livre e democrática existem várias conceções do bem, várias conceções de vida, todas elas com a mesma legitimidade e em que nenhuma delas tenta canibalizar as restantes. Em Portugal isto ainda não foi bem absorvido, e partese do pressuposto que o espetro político começa na extrema-esquerda e acaba ao centro.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa da Ensino Magazine de 1 de setembro de 2022.
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