Sílvia Caldeira: "Os Samaritanos do Nuno Markl"

No 11 de fevereiro de 2026 será celebrado o XXXIV Dia Mundial do Doente, com o tema “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro”, escolhido pelo Papa Leão XIV. Esta data, instituída por São João Paulo II em 1992, clama o reconhecimento do rosto de Cristo nas pessoas que sofrem pela doença. O tema deste ano coloca a centralidade na figura evangélica do samaritano, que representa o amor ao próximo e a compaixão. Este homem da Samaria encontrou no seu caminho um outro homem em sofrimento e foi capaz de acolher, carregar aos ombros até garantir um lugar seguro.  Ao contrário de outros que, ao passar, viram e ignoraram seguindo o seu caminho, o samaritano sentiu-se convocado pelo sofrimento. E agiu. Esta passagem Bíblica, em São Lucas, é paradigmática para os cuidados de saúde.

A doença poderá levar-nos a lugares onde a paisagem é completamente diferente. Onde o que era horizonte passa a ser o instante presente, onde o que era céu passa a ser caminho, onde o que era chão seguro passa a ser, afinal, areia movediça. A doença pode ter este efeito de perlimpimpim na vida. E, de repente a dependência, de repente as terapias, de repente as consultas, de repente as noites num hospital, de repente um estranho que toca, de repente um estranho que dá banho, de repente um estranho que limpa, de repente um estranho que veste, de repente outro que decide a refeição, de repente um companheiro (ou mais) no quarto, de repente barulhos, medos, angústias, esgares e o cheiro de hospital. Nestas últimas semanas, ao escutar o Nuno Markl a partilhar a sua experiência de internamento hospitalar, após ter sofrido um AVC, percebo onde fica a Samaria.

Artigo completo disponível no Sapo online.