Se a política for jogo partidário, haverá espaço para extremismos

Saber equilibrar a urgência de uma resposta sanitária com a necessidade de garantir um equilíbrio económico e social tem sido um desafio desde Março do último ano e “a demonstração de como, em sociedade, temos de lidar com problemas que são extraordinariamente complexos e que não podem ser vistos em gavetas”.

O resumo é feito por Nelson Ribeiro, director da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, no momento em que a instituição se prepara para lançar uma licenciatura em Filosofia, Política e Economia com o objectivo de construir uma “visão mais holística, mais abrangente e mais integrada” que responda aos desafios do presente.

Da problematização dos desafios éticos em torno da Inteligência Artificial até ao combate ao crescente populismo, a ideia é “criar uma oferta interdisciplinar que permita aos alunos olhar para os problemas de forma interdisciplinar e não a partir de uma determinada perspectiva que muitas vezes acaba por ser fechada sobre si própria”, explica Nelson Ribeiro em conversa com o PÚBLICO.

“Não havendo respostas fáceis, as respostas certas precisam de pessoas que saiam destes silos em que está o conhecimento e tenham a capacidade de processar a informação diversa e que vem de áreas muito diferentes”, sustenta. “Já tínhamos sentido isso em Portugal na última década, na sequência da crise Financeira e da entrada da troika”, exemplica o director da faculdade.

E essa é uma tradição que reÇecte a sociedade nacional, argumenta Nelson Ribeiro. “Nos países da Europa do Norte, estes cursos têm uma tradição com dezenas de anos” conseguir recentrar o discurso político nas questões que são realmente importantes”, defende, dando como exemplo o combate ao populismo. “Quem estuda Filosofia e as grandes questões da existência humana sobre o relacionamento da razão e aprende lógica e a debater racionalmente nunca poderá considerar que o tipo de discussão e de argumentos utilizados no discurso populista fazem algum sentido, uma vez que se baseiam em ilusões de que problemas complexos têm soluções simples”, aponta. 

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Público do dia 14 de fevereiro de 2021.