Rute Xavier: "O preconceito contra o agronegócio"

Como garantir alimentos a preços acessíveis para todos? Durante alguns anos, através de subsídios. Cada vez mais, através da tecnologia.

A agricultura está hoje em dia longe da ideia romantizada da casinha e da horta ao lado, da agricultura de subsistência que caracterizou o setor há alguns (bastantes) anos atrás. O setor não está sequer próximo da agricultura pós-revolução industrial, mais mecanizada e com recurso ao uso de fertilizantes químicos.

Hoje em dia, em vez de agricultura, já há quem lhe chame indústria agrícola. Porque é isso mesmo. Transformou-se. Deixou de ser apenas uma agricultura de subsistência para ser uma atividade económica sem a qual não conseguiríamos alimentar o mundo e a sua crescente população, com a quantidade e qualidade que exigimos.

Se me perguntarem se ainda há agricultura de subsistência, tenho que responder que sim. Há e muita. Mas não é rentável e, por isso mesmo, está encoberta com um manto de pobreza de quem a explora. Em que não paga mão-de-obra, não paga a terra e, nos anos piores, não paga sequer a semente que foi lançada à terra. Felizmente, esta agricultura é cada vez mais rara, mas continua a ser a que é romantizada nas zonas urbanas.

A agricultura começou a ser encarada de uma forma que, para ter capacidade de alimentar o mundo, tem de ser sustentável. E para isso, tem de ter escala. Ao entender isto, começaram, então, a surgir explorações profissionais, com tecnologia, conhecimento, foco nos resultados e modelos de negócio inovadores.

Nota: Artigo completo disponível no Observador.