Rosário Pinto Correia: "O poder e a coragem"
Dizem todos os livros de gestão que os lugares no topo das organizações são solitários. Porque no fim do dia é a estes que compete decidir o rumo das organizações e fazer o que é necessário para chegar aos objetivos definidos (muitas vezes também por estes...).
Porque quem a eles reporta nem sempre tem capacidade (ou nem sempre lhes é dado espaço) para opinar sobre as decisões que têm de ser tomadas. Porque acima não há a quem fazer queixinhas ou imputar culpas, pelo que a responsabilidade (e o reconhecimento do que corre bem / culpa do que corre mal) é deles. No fundo, no fundo é sempre uma questão de ser forte ou fraco, é sempre uma questão de coragem!
Coragem para tomar as decisões que se entendem corretas... e para exigir ter argumentos sólidos para as tomar. Coragem para utilizar os factos mesmo quando não gostamos deles... e manter as nossas posições, desde que double checked. Coragem para fazer o que não se quer ou não se gosta de fazer... e para viver com as consequências do que fizemos. E também Coragem para enfrentar quem se opõe, com argumentos válidos...e para reconhecer quando não temos razão ou precisamos de ajuda. Coragem para deixar a teimosia de lado...e para reconhecer que erramos. Coragem para mudar de rumo quando é preciso...e para pedir desculpa.
Os dois problemas de fundo que minam muitas organizações - e a vida de muitas pessoas também...- têm sempre a ver com falta desta coragem, desta capacidade para procurar fazer o correto e reconhecer os erros. Por um lado, umas figuras míticas - o "eles" ou os "outros", que aparecem sempre que a vida corre mal.
São umas criaturas vagas e indefinidas, que ninguém vê nem sabe quem são, como que duendes, mas que têm um poder imenso - o de justificar tudo o que corre mal. E atrás da sua responsabilização nos vamos escondendo para evitar olhar de frente para os problemas e reconhecer o papel que neles desempenhamos (e quando as coisas correm bem estes seres desaparecem para só regressar quando voltam a correr mal...!). E por outro, as desculpas de mau perdedor ou de espertalhaço.
Ler artigo completo aqui.
Categorias: Católica Lisbon School of Business & Economics