Rita Figueiras: "Os bastidores de um debate: as redes sociais em directo"

Como em todas as democracias mediáticas, o último debate presidencial é um evento político-mediático de elevada importância. O desta noite, entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen, não foge à regra. Num momento crítico em que a crise de representação ameaça a coesão social do país e em que os eleitores são chamados a escolher entre duas personalidades que muitos rejeitam com igual veemência, a França encontra-se numa encruzilhada.

Para ambos os candidatos, o debate é uma oportunidade única de mobilização dos apoiantes e de conquista de indecisos. Visto que ambos pretendem o mesmo, o risco de uma assimetria em direto aumenta a importância do momento, mas também a conflitualidade, a dramaticidade e a tensão. Por isso, estes encontros críticos são preparados e ensaiados ao ínfimo pormenor e de acordo com um guião previamente definido. Como não se consegue controlar tudo, os imprevistos são potenciais geradores de gaffes. Uma frase ao lado, uma ideia mal explicada, uma tirada pouco controlada podem tornar-se o centro das atenções de jornalistas, comentadores e trends nas redes sociais. Qualquer deslize pode acarretar uma dinâmica perdedora difícil de inverter até ao acto eleitoral. Os debates não decidem resultados, mas, em eleições com elevados índices de indecisão e de rejeição, podem ser “a gota de água”.

Antecipa-se que este evento seja visto por milhões de telespetadores; tendo em conta as tendências de consumo actuais, muitos deles irão acompanhar o visionamento com as redes sociais, para manter conversas sobre o que estão a ver no ecrã da TV. Mesmo os usuários que se desligaram da política têm a certeza de que, se algo de verdadeiramente relevante ou interessante acontecer, as redes os vão avisar. Por outro lado, no espaço digital pretende-se moldar o fluxo do discurso sobre o confronto, porque as candidaturas sabem que os jornalistas estão interessados nas tendências das conversas online para avaliarem o desempenho dos candidatos e proclamarem o vencedor, interpretando o sentimento do público nas redes. Os usuários também procuram definir uma posição e opinião em função do que encontram nas plataformas.

Artigo completo disponível no Público.