Rita Figueiras: "Enquanto o fogo atrai o olhar, queima-se a democracia"
Quando os jornalistas cobrem uma manifestação, vemos pessoas a proferir palavras de ordem, a defender os seus direitos, a conversar. No entanto, em termos mediáticos, esses momentos são muitas vezes considerados vazios e desinteressantes. Se se verificarem distúrbios, se houver montras vandalizadas ou carros incendiados, então, sim, a notícia acontece.
A história da manifestação é construída a partir da retórica visual das chamas ou dos gestos de confronto, e esses instantes críticos eternizam-se em planos televisivos apertados. Embora tais imagens-síntese não contem a história do protesto na íntegra, são elas que permitem maximizar as audiências. As televisões, e em particular as comerciais, sabem que o fogo atrai o olhar e o conflito prende a atenção.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do jornal Público de 13 de junho de 2025.
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