Rita Figueiras: "Brasil: campanha de embate e não de debate"

Nas próximas semanas vamos assistir a uma escalada incessante da guerra de rejeições, movida por ódio, ressentimento e intransigência. Resta saber quão esgaçado estará o tecido social depois das eleições.

A um mês e meio das eleições no Brasil, começa agora a campanha oficial. Depois de um período em que a vantagem de Lula parecia apontar para uma vitória inédita do PT à primeira volta, tal possibilidade começa a desvanecer-se à medida que Bolsonaro recupera competitividade. E, apesar de um volte-face eleitoral parecer improvável, o futuro nem por isso é menos imprevisível. Uma coisa é certa: nas próximas semanas vamos assistir a uma escalada incessante da guerra de rejeições, movida por ódio, ressentimento e intransigência. Com um país profundamente dividido, resta saber quão esgaçado estará o tecido social depois das eleições.

Bolsonaro chega à campanha oficial com uma dinâmica favorável. As recentes medidas económicas têm-no ajudado a recuperar eleitorado perdido durante a pandemia (com o apoio imprescindível da primeira-dama), nomeadamente em duas faixas estratégicas de votantes: mulheres e evangélicos. Tais medidas contribuíram também para se aproximar da população de baixa renda (com o aumento do Auxílio Brasil) e de alguns sectores da classe média (incentivada pela diminuição do preço da gasolina).

A percepção, de partes do eleitorado, de que o presidente está a encontrar soluções para os problemas do país, aliada a uma expectativa de melhoria das condições de vida, começa a produzir o efeito pretendido: aumentam a sua taxa de aprovação, diminuem a rejeição do governo e encurtam a distância para Lula. 

Artigo completo disponível no Público.