Ricardo Tomé: "Consegue gerir a sua comunidade?"
Antes de avançar na ideia deste texto, coloque os óculos de viagem, vista o fato especial, calce as luvas e as botas, encha os pulmões com o oxigénio artificial do fato mágico e visite comigo o fascinante mundo do nosso cérebro.
Notemos as suas células. Os finos filamentos de proteína que dão forma ao interior das células vivem apenas alguns minutos. E as proteínas recetoras precisam ser trocadas a cada par de dias (explica o neurobiologista Joe Tsien, da Universidade de Princeton). Ou seja, o cérebro que temos esta semana é diferente do que tínhamos na semana passada. E será certamente diferente daquele que vamos ter na próxima. Lembrando ainda que o nosso ADN precisa de ser reparado nesta contínua regeneração. Se considerarmos que “somos”, numa boa parte, um padrão de ligações sinápticas e uma rede de memórias, conseguir que tal padrão permaneça igual apesar da transformação molecular constante só é possível se considerarmos que tal ocorre num processo dinâmico, e não estático.
Aquilo que somos é uma evolução. Um filme. Não uma sequência de fotografias (bem sei que o filme é uma sequência de fotogramas, mas presumo que entenda a ideia na comparação direta) que ali ficam pasmadas longo tempo até que um dia são substituídas por outras.
Serve o enquadramento para apresentar de forma sorrateira o tema das comunidades online.
Qual movimento de placas tectónicas, as comunidades online da nossa marca, que gerimos e nas quais convivemos todos os dias, vão-se mutando. Ainda lembramos bem a grande comunidade fotográfica que era o Instagram. Aplicações cuidadas de filtros. Estética apurada. Fragmentos de um dia que mereciam a partilha. Hoje a comunidade subdivide-se em várias: algumas contas que se focam em inspiração. Outras na aprendizagem e no DIY. Outras ainda em simples informação. Muitas sobre a vida alheia. Ou sobre compras. Etc. Em fotos. Galerias. Histórias efémeras. Vídeos. Trocas de mensagens privadas.
Artigo completo disponível na Meios & Publicidade.
Categorias: Católica Lisbon School of Business & Economics