Renovação dos contratos de PPP vai interessar mais às tecnológicas
Numa altura em que um conjunto de concessões rodoviárias em Portugal se aproxima do fim do prazo, Ricardo Ferreira Reis, do Observatório para as Parcerias Público-Privadas (OPPP) da Universidade Católica, defendeu esta quarta-feira, no congresso organizado pela Associação Portuguesa das Concessionárias de Autoestradas (APCAP) que "esta é uma oportunidade para repensar toda a rede rodoviária". E que, sendo esta "uma oportunidade de pensarmos a mobilidade de uma forma diferente", as empresas de inovação e tecnologia "serão as que estarão mais interessadas" na próxima fase destes contratos.
Em seu entender, faz sentido pensarmos a renovação dessas concessões "não caso a caso", mas repensando "toda a rede rodoviária de raiz". "Temos a infraestrutura toda para agora pensarmos a mobilidade", afirmou, admitindo, a título de exemplo, a instalação de catenárias nas autoestradas para as mercadorias elétricas.
Lembrando que as PPP rodoviárias em Portugal têm sido uma experiência de 30/40 anos, o diretor do Centro de Estudos Aplicados da Católica lembrou que este modelo passa por alocar o risco "a quem o gere da melhor maneira". Por isso, se os primeiros contratos foram entregues essencialmente a empresas de construção, na fase seguinte passaram para empresas de exploração e no momento em que estamos agora para fundos de investimento. Na renovação que irá acontecer, Ricardo Ferreira Reis afirma que se o que se quiser fazer destes contratos no futuro for estudar novas formas de mobilidade, quem vai ficar com os contratos, que melhor consegue alocar o risco, são "as empresas que se dedicam ao estudo das melhores formas de mobilidade".
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 5 de maio de 2022.
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