Portugal no mundo (I)
Portugal é um "país improvável". Tem uma dimensão territorial terrestre limitada - embora tenha uma dimensão marítima significativa -, tem apenas 10 milhões de habitantes e, que saibamos, não tem acesso a recursos naturais significativos. E, no entanto, avançamos para os 900 anos de independência com uma das fronteiras mais estáveis da Europa, temos uma unidade política e social invejáveis, não conhecemos qualquer tensão internacional que só a nós diga respeito e estamos no terço superior do desenvolvimento dos países da ONU. Temos razões para sermos coletivamente mais otimistas e mais ambiciosos.
Externamente, Portugal é um defensor entusiasta das soluções multilaterais e de um mundo baseado na cooperação, no primado da lei, nas negociações e na busca de consensos. Somos uma voz constante na promoção e na defesa de um sistema partilhado e vivemos confortavelmente nos princípios da Carta das Nações Unidas, do Conselho da Europa e da União Europeia. E de outra forma não poderia ser, pois não temos capacidade para impor a nossa vontade ou defender os nossos interesses estratégicos num ambiente internacional anárquico.
Ao mesmo tempo, a língua, a cultura, a história e também os interesses políticos e económicos que unem os Estados e os milhões de pessoas que falam português em África, na América do Sul, na Ásia e na Europa têm um potencial que deverá ser aprofundado, não só no quadro das suas preocupações próprias mas igualmente na CPLP.
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