Porque não lideramos mais positivamente?

A defesa da "liderança positiva" é hoje suportada por um corpo conceptual e empírico robusto. Por "positiva" entenda-se uma forma de atuação tridimensional: 

  1. é eficaz, isto é, obtém resultados;
  2. enfatiza a melhoria baseada nas forças;
  3. é virtuosa, ou seja, equilibrada, evitadora de extremos destrutivos.

Num livro de que somos co-autores (Positive Organizational Behavior; Routledge, 2020), fazemos uma resenha dos desenvolvimentos científicos nessa área, apresentando inúmeras ilustrações práticas. Uma pergunta impõe-se: se liderar positivamente é tão positivo, por que razão são tantas as organizações "normais"? Porque é que tantos empregados preferem poupar esforços? Porque não há mais organizações cujas culturas encaram o talento como expansível e conduzem as pessoas a desenvolver o gosto pela auto-superação? Que obstáculos se erguem à implementação de mais liderança positiva?

Para responder à questão, indagamos um conjunto de gestores e fizemos, nós próprios, um exercício de reflexão assente nas nossas experiências de formação e coaching de executivos. Daí resultaram sete possibilidades explicativas. O trabalho intenso como obstáculo. Os líderes são confrontados com enormes pressões e exigências intensas que lhes consomem tempo e energia. Ficam mais focados no "seu" trabalho do que no desenvolvimento de cada membro da equipa e da equipa como um todo. Impaciência. Os diagnósticos de liderança que temos levado a cabo sugerem que o equilíbrio trabalho-família representa um dos calcanhares de Aquiles de muitos líderes. Daí resulta stress, escassez de tempo e impaciência para escutar os liderados.

Estes líderes não dispõem de tempo para desenvolverem e potenciarem as forças e os talentos presentes na equipa. Como consequência, os liderados experimentam a sensação de que os líderes "não se importam com eles" e não os valorizam. Um círculo vicioso.

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Nota: Este artigo expressa exclusivamente a opinião dos autores que nele participaram:

Arménio Rego (LEAD.Lab, Católica Porto Business School); 
Miguel Pina e Cunha (NOVA SBE);
Artur Andrade (GS1 Portugal); 
Carina Lopes (Oney Bank); 
Carla Guinapo (Oney Bank); 
Elisabete Neto (Oney Bank); 
Filipe Santos (Oney Bank); 
Luís Galveia (Norauto); 
Paul Gomes (Auchan); 
Raquel Abrantes (GS1 Portugal); 
Ricardo Couto (GPA Advogados); 
Teresa Martins de Sousa (Ceetrus).