Pode o "multitasking" ter os dias contados?

Quem é que nunca aproveitou um telefonema prolongado para limpar a caixa de "e-mail", responder a mensagens urgentes ou agendar reuniões? Queremos ser mais eficientes e ganhar tempo. No entanto, são cada vez mais os defensores do "monotasking". Fazer uma única coisa de cada vez, com foco e atenção, não só é mais produtivo como contribui para um maior bem-estar, defendem.

Anna Pugh é uma das protagonistas deste movimento. Em 2021, começou a fazer vídeos sobre "monotasking" no TikTok. Pouco tempo depois, criou um grupo de "cowork" na plataforma Patreon e, no início deste ano, lançou a start-up Spacetime Monotasking, que tem como objetivo ajudar as pessoas a focarem-se numa tarefa de cada vez. Nas sessões via Zoom, os utilizadores são encorajados a manter os telemóveis à distância e a desligar as notificações do computador, para reduzir as distrações.

Já Thatcher Wine, fundador e CEO da Juniper Books, empresa especializada na curadoria de bibliotecas especializadas, lançou o livro "O método monotasking", no qual propõe "exercitar os músculos do *monotasking através de 12 tarefas (ler, caminhar, escutar, dormir, comer, viajar, aprender, ensinar, divertir-se, ver, criar e pensar), realizadas com total foco. Só assim, defende, é possível pensar melhor, ser mais produtivo e ter menos stress.

UMA QUESTÃO DE SAÚDE

O aceleramento da sociedade tem-nos exigido agir no imediato, produzindo uma urgência em executar muitas tarefas de forma rápida", assume Joana Rato, investigadora do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS), da Universidade Católica, e especialista em neuropsicologia. Nos últimos anos, o mundo digital ganhou importância, e isso teve consequências neurológicas: alguns autores apontam para uma diminuição progressiva da capacidade de manter a atenção. Um estudo da Universidade de Stanford demonstrou que os chamados "high-tech jugglers" retêm muito pouca informação e têm um tempo de atenção menos robusto do que as pessoas que se concentram numa tarefa de cada vez.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de dia 26 de agosto de 2022.