Pedro Celeste: "Tradicional para digital: transição ou integração?"

É sabido que o surgimento de modelos de negócio assentes no formato digital, tais como a Netflix, Amazon, Airbnb ou Uber, estão a colocar em causa muitas empresas que nasceram no formato tradicional. É assim com a banca, imobiliária, ensino ou retalho.

As empresas já instaladas não só tiveram de evoluir apressadamente para uma dimensão digital para a qual estavam menos bem preparadas, como viram a situação agravada pela necessidade de resposta célere face à crise pandémica. Despertaram então para processos de transformação digital, com ajustamento do próprio modelo de negócio, com diferentes graus de sucesso. E os menos bem-sucedidos foram aqueles que desvirtuaram os fatores críticos de sucesso do negócio, gerando uma imagem difusa junto do mercado.

E o que dizer das empresas que ficaram presas ao modelo de negócio tradicional? É raro o setor onde não se assista a três fenómenos cumulativos e devastadores:

1. Descida de preços como forma de não perder mercado;

2. Consequente quebra de margens e respetiva liquidez;

3. Perda de interesse por parte de investidores ou parceiros.

De facto, há várias empresas em muitas áreas de negócio e de diferentes dimensões que veem as margens esmagadas pela pressão das soluções online. Isto acontece com muita frequência no setor do retalho, sobretudo nas grandes cadeias que despertaram tardiamente para o problema ou perderam o andamento das demais.

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