Paulo Cardoso do Amaral: "A importância estratégica e intemporal de Clausewitz"
Será que vamos continuar a usar as tradicionais ferramentas de estratégia de negócio, quando é o próprio negócio que pode estar em causa?
Carl von Clausewitz foi um general prussiano que assistiu, ao longo da maior parte da sua vida, ao sucesso das capacidades tácticas gaulesas no rescaldo da revolução francesa. Napoleão acabou por ser derrotado na Batalha de Waterloo em 1815, porém, as extraordinárias vitórias de Napoleão não deixaram de impressionar o mestre prussiano.
Como é que um exército menos bem equipado, menos bem treinado e por vezes em inferioridade numérica foi capaz de derrotar tantos exércitos, em particular os alemães? Como foi possível ocupar a digna herança de Frederico, o Grande, em pouco mais de três semanas nas batalhas de Jena e Auerstädt em 1806?
Clausewitz passou pela escola de guerra em Berlim, onde foi encontrando respostas e concebendo a sua visão durante mais de uma década, escrevendo e reescrevendo uma obra com o título "Da Guerra", publicada a título póstumo pela sua mulher. O livro inacabado tinha sido cuidadosamente guardado pelo general antes de ir para a guerra em 1830, tendo falecido na sequência de um surto de cólera que despontou na Europa exactamente na zona onde ele se encontrava.
Segundo John Keegan, "Da Guerra" ganhou preponderância quando o General von Moltke, o grande obreiro da consolidação do império alemão no séc. XIX, ao serviço de Otto von Bismarck, deu como explicação para os seus sucessos militares o facto de ter lido Clausewitz. A obra de Clausewitz, apesar de inacabada polémica, tem sido estudada e discutida nas escolas militares em todo o mundo, servindo de inspiração para praticamente todos os regimes políticos. O que nos ensina Clausewitz que possamos aplicar na também estratégia empresarial?
"A guerra é a continuação da política por outros meios" é a frase mais citada de Clausewitz, e também a mais polémica, pois a tradução do alemão original pode ter várias interpretações. A "guerra total" é outro conceito polémico, pois Clausewitz nunca mencionou o adjectivo "total", referindo apenas "guerra absoluta".
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