Paulo Alves: "Viver na sombra da fadiga"
Imagine acordar todos os dias e sentir que não descansou, como se cada gesto, por mais pequeno que seja, exigisse um esforço sobre-humano. A sua vida reduzida a uma batalha diária contra uma exaustão tão profunda que gestos banais, como tomar um banho ou preparar uma refeição, parecem montanhas intransponíveis. Diariamente sofrer dores constantes, dificuldades cognitivas com uma névoa mental persistente e uma incapacidade quase total de realizar atividades que antes eram triviais.
Esta é a realidade enfrentada por pessoas que vivem com Encefalomielite Miálgica (EM), também conhecida como Síndrome da Fadiga Crónica (SFC). Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma condição neurológica incapacitante, a EM/SFC permanece, à margem do debate público e das políticas de saúde em Portugal. O resultado? Cidadãos a definhar em silêncio, confrontados com o estigma, a incompreensão e uma gritante falta de apoio.
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