O legado da Covid-19
O momento é de transformação para o Ensino Superior, mas as tendências que estão a verificar-se não são novas nem surpreendentes. A pandemia apenas acelerou um processo inevitável. O e-learning irá permanecer, mas o ensino presencial é visto como indispensável pelos responsáveis de algumas das principais instituições de Ensino Superior nacionais.
A pandemia Covid-19 e as medidas de confinamento forçaram as instituições de Ensino Superior a uma adaptação apressada, de forma a dar a melhor resposta possível num momento de grande incerteza. Muitas mudanças funcionaram bem e são para manter no pós-pandemia, outras nem tanto. As adaptações com vista ao mundo pós-pandemia continuam a ser feitas e a única certeza é a de que nada será como antes. O b-learning (ou blended learning) – conjugação de ensino à distância com o presencial – é uma das grandes apostas do Ensino Superior para o futuro, mas tem ainda um longo caminho a percorrer até se tornar a solução ideal, uma vez que muitas instituições ainda estão a tentar perceber o que deve ou o que não deve ser mantido. Há, no entanto, uma opinião comum entre os reitores de algumas das principais universidades portuguesas: o ensino presencial é preferível ao ensino à distância e não pode ser dispensado.
A Universidade Católica Portuguesa (UCP) “já estava preparada para o ensino online e, em 24 horas”, colocou “todos os graus de ensino a funcionar à distância”, lembra a reitora, Isabel Capeloa Gil. Uma adaptação que proporcionou a criação de novos hábitos na instituição. As reuniões online e os eventos por streaming “acrescentaram valor ao futuro da universidade e da sua projeção internacional”, esclarece. Acrescenta: "As reuniões online e os eventos por streaming acrescentaram valor ao futuro da universidade e da sua projeção internacional”
Quanto ao que correu menos bem no processo de adaptação à pandemia Covid-19, Isabel Capeloa Gil concorda com a ideia de que o regime exclusivo de aulas à distância não deve ser mantido e assinala “a natural falta de convívio presencial entre os estudantes e dos estudantes com os professores”, provocada pelos confinamentos, como a razão “que tornou menos feliz a experiência académica”. No mesmo sentido, Ana Costa Freitas lamenta que os estudantes não tenham tido “a oportunidade de viver em pleno a experiência de ser estudante universitário. Foi algo que não conseguimos nem conseguiremos nunca substituir”.
Para a reitora da Universidade de Évora, o modelo de ensino presencial é o que “melhor responde aos anseios dos estudantes, seja ao nível da formação propriamente dita seja do bem-estar psicológico e mental e das relações sociais, fundamentais para uma saudável vivência em sociedade”.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa da Visão de 24 de junho de 2021.
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