Nuno Moreira da Cruz: "A (in) capacidade de ouvir como fonte de ineficiência nas empresas"

Tenho para mim que uma das principais fontes de ineficiência nas empresas é a incapacidade de ouvir. Ouvir “genuinamente” é uma arte, infelizmente muito pouco presente e treinada no mundo corporativo.

Dados estatísticos indicam que passamos 80% do dia em alguma das quatro formas de comunicação: falar, ler, escrever e ouvir, sendo que, das quatro, o ato de ouvir é onde consumimos 60% do tempo. Curioso é que ao longo da vida vão-nos ensinando a falar, ler e escrever (onde consumimos apenas 40% do tempo) e nunca nos ensinam a ouvir. Esta é a má noticia, a boa é que se pode treinar a capacidade de ouvir – tive esse privilégio no início da minha carreira profissional e recomendo às lideranças que invistam nesta formação.

Muita dessa formação passa simplesmente por aprender a calar as “vozes internas” que vão “falando” connosco (entre outras, “já sei o que este vai dizer”; “que lhe digo eu quando se calar”; “que posso aproveitar disto que estou a ouvir para usar em outra ocasião”; “que estarão os outros a pensar sobre o que ele está a dizer”). Não é um exercício de aprendizagem fácil, exige muito disciplina e concentração – tudo passa por aprender a “apanharmo-nos” quando essas vozes aparecem e sermos capazes de as calar.

Na vida pessoal, o melhor exemplo surge em conversas entre pais em que uma mãe (ou pai) está a comentar o que já faz o “meu Pedrinho”. Obviamente a outra mãe (ou pai) só está à espera que ela (ou ele) pare de falar para se gabar do que já faz o “meu Joãozinho”.

E é isto, com esta crueza, o que acontece na esmagadora maioria das organizações. Pura e simplesmente as pessoas não se ouvem. Se alguém duvida, não tem mais do que pedir, numa próxima reunião, que as várias pessoas presentes lhe façam uma resenha sucinta do que foi dito. Verá quantas versões diferentes recebe e que o levará a pensar se de facto estiveram todos na mesma sala.

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