Nelson Ribeiro: "Jornalismo, coragem e democracia"

Num período em que assiste a uma regressão da liberdade de expressão em inúmeros países e a um controlo apertado dos fluxos de informação por atores políticos e agentes corporativos, trabalhar nos media, e no jornalismo em particular, é cada vez mais uma expressão de coragem.

De acordo com o relatório recente da organização Repórteres sem Fronteiras, nos últimos dozes meses foram assassinados 67 jornalistas, 20 foram feitos reféns de grupos terroristas, pelo menos 135 encontravam-se desaparecidos, e mais de 500 estavam presos. Paralelamente, tem-se assistido a um aumento exponencial das ameaças contra profissionais da informação mesmo fora de cenários de guerra, verificando-se igualmente um aumento dos ataques contra jornalistas e outros profissionais dos media no contexto da cobertura de protestos públicos, nomeadamente em vários países europeus e nos Estados Unidos.

Este cenário de risco crescente para quem procura relatar acontecimentos existe a par, mas não desligado, de um ecossistema informacional marcado pela circulação de informação falsa que contribui, de forma muito efetiva, para a polarização da opinião pública. A desinformação, além de propiciar a violência contra os profissionais da informação, está também a alterar os próprios fundamentos do jornalismo.

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do Observador de 23 de abril de 2026.