Nelson Ribeiro: “A ideia de que a universidade serve apenas para formar técnicos é algo que me assusta”
A Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica que dirige, desde 2016, é a escola onde estudou, se tornou professor e coordenador da área Científica em Ciências da Comunicação. Membro do Conselho de Direção do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, onde coordena o Grupo de Investigação Media Narratives and Cultural Memory, Nelson Ribeiro, que é formado em Comunicação Social e Cultural e doutorado em Media and Culture Studies, pela Universidade de Lincoln, tem como áreas principais de investigação a história dos media e da propaganda, os estudos de jornalismo e a economia política dos media.
Nesta entrevista defende o papel fundamental da Universidade na formação das novas gerações e na defesa da democracia, desmonta a aparente dicotomia sonho-empregabilidade, explica o que faz com que a FCH-Católica tenha das mais altas taxas de empregabilidade do país, antecipa um número recorde de estudantes estrangeiros em mestrado e doutoramento no próximo ano letivo e adianta novidades na licenciatura em Comunicação Social e Cultural. “O jornalismo é hoje mais necessário do que no passado”, salienta.
Porque escolheu estudar e trabalhar na FCH-Católica?
Nos anos 90, escolhi a FCH para estudar pela reputação da escola e pelo plano curricular da licenciatura em Comunicação Social e Cultural que tinha uma forte componente interdisciplinar que eu procurava. Trabalhar na FCH acabou por ser algo que aconteceu. Quando terminei a licenciatura fui convidado para colaborar como Assistente e, após o meu doutoramento, como Professor Auxiliar convidado. Só mais tarde tomei a decisão de ficar em exclusivo na universidade e deixar a minha carreira nos media.
Na altura de escolher o curso, o que deve priorizar o aluno no caso das duas coisas não coincidirem: o sonho ou a empregabilidade?
Curiosamente não acredito que esta dicotomia exista. Quando um jovem tem um sonho e estuda algo que realmente gosta, acaba por desenvolver verdadeiramente as suas capacidades e competências. Não tenho dúvidas de que tal lhe haverá de abrir muitas portas na sua carreira profissional. Quem entra num curso sem vocação, apenas porque acredita que tal é mais seguro, acaba habitualmente infeliz e a não conseguir tirar um grande rendimento da sua passagem pela universidade. Uma das razões pelas quais a FCH tem das mais altas taxas de empregabilidade do país é também porque a grande maioria dos nossos alunos estão a estudar o que escolheram e a tirar proveito da sua passagem pela universidade para crescerem enquanto pessoas e profissionais.
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