Mónica Soares: "A psicologia e o direito de viver em paz"
A guerra é, hoje, um espetáculo quotidiano. Milhões, longe dos campos de batalha, veem sem parar a sua crueldade e sofrimento. Tão longe que, por vezes, se sentem alheios. Ouvimos que é “mais um conflito”, nalgum lugar que mal conhecemos, onde morre e vive gente com quem nunca nos cruzaríamos. Em boa medida, foram os meios e tecnologias de comunicação que “trouxeram” estas guerras, mais ou menos remotas, ao nosso mundo, isto é, ao mundo que percebemos, àquele que vemos e ouvimos.
A lista de conflitos hoje, como ontem, é ampla: o conflito do nosso continente, mantido a todo o custo pela propaganda; o extermínio sistemático de povos; tiroteios em escolas; perseguições étnico-raciais, entre outros. Às manchetes e coberturas televisivas juntam-se agora os conteúdos que circulam e se viralizam na internet, nas redes sociais, nas lives. Embora se crie a sensação de um acesso mais “puro”, os conteúdos que consumimos são sempre recortes produzidos com intenções concretas. Neles, muitas vezes, quem ataca aparece como vítima e quem se defende surge como carrasco. Sem passado e com pretensões de verdade, muitos desses conteúdos vão deixando carimbos de “violência imoral” aqui, “legítima defesa” ali e “herói” acolá.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes da revista Visão de 21 de setembro de 2025.
Categorias: Faculdade de Educação e Psicologia