Miguel Monjardino: "A Rússia e o seu destino"
Para Vladimir Putin era importante transmitir às elites que apoiam o regime e à sociedade russa que o país estava a regressar rapidamente à normalidade. Por isso, na quarta-feira da semana passada, Putin deslocou-se a Derbent, uma das cidades mais antigas da Rússia, junto ao Mar Cáspio, onde foi fotografado junto a um grupo de apoiantes. Esta foi a primeira vez desde o início da pandemia em 2020 que o autocrata russo rea lizou uma caminhada entre o público. Nos dias seguintes, Yevgeny Prigozhin, o líder do Grupo Wagner, foi naturalmente denunciado nos canais de televisão pública como um traidor que enlouqueceu e se moveu por dinheiro. No fim de semana, tinha desaparecido da História russa.
A revolta e marcha da coluna militar de Prigozhin em direção a Moscovo falhou. Tinha de falhar. Dito isto, foi um sério abalo do regime de Putin. O carismático comandante da Wagner acusou a liderança militar em Moscovo de incompetência e traição na guerra contra a Ucrânia. Denunciou também a elite que vive na zona rica de pilhar o país e de indiferença total em relação às condições de vida do resto da sociedade. Todavia, Prigozhin nunca conseguiu o apoio das fações mais importantes do regime, do Exército, dos serviços secretos e da maioria da sociedade.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Expresso de 7 de julho de 2023
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