Miguel Gouveia: "Aumentos das pensões. Generosidade ou demagogia?"

A retórica das pensões baixas está a esconder os enormes custos que o país paga para os políticos no Governo andarem a comprar os votos dos reformados.

A aproximação das eleições levou o Governo e alguns partidos a anunciarem aumentos das pensões. Invariavelmente estas políticas são caracterizadas como generosas. Esta visão está errada porque ignora os enormes riscos que estão a ser criados para a economia e sociedade portuguesas e os custos que mesmo no melhor dos cenários terão de ser suportados.

O caso das pensões de velhice oferece um enorme contraste entre as ideias feitas e a realidade que estamos a viver de facto. O lugar-comum é que as pensões são baixas e que por isso têm de ser aumentadas aceleradamente.

No entanto, ninguém menciona que a maioria dos pensionistas recebe mais do que o valor justificável pelas contribuições que fez. E certamente ninguém recorda publicamente que as taxas de pobreza entre os idosos não são das mais altas. As taxas de pobreza para as crianças são mais elevadas!

Certamente que alguma redistribuição a favor dos pensionistas é consensual na sociedade portuguesa, mas chegámos a uma situação muito para além do razoável. A retórica das pensões baixas está a esconder os enormes custos que o país paga para os políticos no Governo andarem a comprar os votos dos reformados. A distorção na utilização dos dinheiros públicos é grande e ressalta claramente quando se fazem algumas comparações internacionais.

Artigo completo disponível na Renascença.