Martinho Lucas Pires: "A morte do direito internacional (e outras histórias fúnebres)"
Desde Niestzche que se instalou na psique humana um certo fetiche pela matança do que é imaterial. As vítimas não são pessoas, mas ideias, instituições, sagrados, e projetos – e a arma não é de fogo, apenas palavra. Um decreto é o que basta, para que por mera retórica se fixe o óbito, inevitável, ainda que piedoso, do que era uma construção sólida, esforçada, ainda que imperfeita.
Fukuyama declarou com estrondo a morte da história, mas a história não morreu, porque a história nunca morre. A história é feita de pessoas, dos seus encontros e desencontros, dos seus poderes, das suas forças, e dos seus acordos. Toda a gente sabe que pode agir contra o outro, e toda a gente sabe que o outro pode agir contra si. Pelo meio vive uma consciência, individual e coletiva, sobre “deveres”: deveres de proteção, de auxílio, de colaboração, de resistência. É neste caldeirão relacional que existimos e que continuaremos a existir, com melhores engenhos e tecnologias, e (espera-se) com maior consciência não só da nossa finitude e dos nossos recursos, mas também dos riscos e dos males que corremos no passado, procurando aprender qualquer coisa de novo.
Artigo completo disponível no Observador.
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