Margarida Ramalho: "Que modelo de crescimento para Portugal?"
Sou da geração de 60/70, tirei o curso de Gestão na Católica e vi o país desenvolver-se com a dinâmica das multinacionais e os apoios da União Europeia. Depois de tanto investimento, e tantas gerações tão bem preparadas para abraçar o futuro, sinto-me inconformada com o estado anémico da nossa economia. Abundam os diagnósticos de situação e as estatísticas são cada vez mais tristes.
Criamos facilmente ilusões e somos um povo de gente esforçada. Mas ilusões e esforço não significam eficiência, produtividade e crescimento.
Culturalmente, temos tanto de engenho como de ineficiência coletiva, e os resultados acabam por ser parcos. Porquê? Porque escasseia o planeamento alimentado de consciência crítica sobre alternativas e custos de oportunidade, bem alicerçado e com medidas de impacto. Ou seja, atira-se o dinheiro para cima dos problemas e espera-se que estes se resolvam. Não se resolvem!
Recentemente, a expressão “consórcios de investimento” entrou no nosso léxico empresarial, mas será que estamos preparados para colaborar e explorar sinergias coletivas? O que é que estamos a fazer para desenvolver essa competência estratégica que ainda não demonstrámos ter?
Precisamos de um ecossistema empresarial vibrante para inovar e criar valor.
Quando falamos de empreendedorismo e inovação vem-nos logo à mente a promissora geração de start-ups tecnológicas e os seis unicórnios que já valem mais de 34 mil milhões de euros e tanta notoriedade dão a Portugal. São empresas “born global” em todos os sentidos, têm organizações ágeis, altamente eficientes, e estão a escalar o seu negócio para singrar no mercado global. Será que estamos a fazer o suficiente para facilitar o crescimento destas empresas e a reter valor na economia portuguesa?
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Categorias: Católica Lisbon School of Business & Economics