Mara Moita: "Educação de surdos: inclusão que começa na língua"
Assinalar o Dia Nacional da Educação de Surdos é um convite a repensar, com compromisso, como o sistema educativo responde à diversidade linguística das pessoas surdas. Em Portugal, a educação de surdos está enquadrada num modelo bilingue que reconhece a Língua Gestual Portuguesa (LGP) como primeira língua e o português escrito como segunda (Decreto-Lei n.º 3/2008). No entanto, entre o princípio e a prática persistem desafios que importa tornar visíveis.
Uma educação verdadeiramente inclusiva começa pelo reconhecimento das necessidades comunicativas de cada aluno surdo. Não existe um perfil único. Existem níveis variados de proficiência em LGP e em português, diferentes experiências educativas e distintos graus de surdez. A população surda é, por isso, profundamente heterogénea. Inclui também crianças com implantes cocleares que, apesar de poderem beneficiar de acesso auditivo, continuam a apresentar necessidades específicas e dificuldades próprias no desenvolvimento linguístico oral e académico. Ignorar esta diversidade é comprometer o acesso ao currículo e, em última análise, o direito à aprendizagem.
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