"A luta pelo talento é muito grande"

“Houve nos últimos 30 anos uma transformação brutal e dramática do paradigma económico. Passou-se de uma economia física assente em produção de produtos físicos com mão de obra relativamente massificada, com algum grau de especialização, para uma economia profundamente digital baseada em serviços e inteligência. E, se há um produto, é de uma forte integração tecnológica.” A análise é de Filipe Santos diretor da Católica Lisbon School of Business and Economics, na conferência "Inovação, IDE e Smart Cities", organizada pelo Negócios em parceria com a Cellnex.

Neste novo paradigma, em que o capital deixou de ser escasso e se tornou abundante e em que a localização perdeu importância, o fator-chave é o talento. Para Filipe Santos, "as pessoas não fazem ideia hoje da guerra de talentos a nível mundial, sobretudo tecnológico, na área da computação". "Há empresas que começam a pagar o curso inteiro ao aluno porque sabem que o vão contratar passados quatro ou cinco anos. A luta pelo talento é muito grande", conclui.

No seu entender, o talento "quer estar numa cidade e por isso é que se fala hoje da smart city, ou cidade inteligente, com um contexto urbano de vivência que possa atrair o talento, reter as empresas e ter elementos de sustentabilidade e qualidade de vida". "Quando se olha para a competitividade, dantes era o país e agora começa a ser o aglomerado urbano numa cidade e as condições que ela pode ou não criar", defende.

 

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 18 de janeiro de 2022.