Luís Miguel Figueiredo Rodrigues: "A liberdade como tarefa comum"

Fala-se muito de liberdade, quase sempre como se ela fosse apenas o direito de cada um fazer o que entende. Mas quando se reduz a liberdade à simples ausência de obstáculos acaba-se por confundi-la com capricho, consumo ou indiferença. Ser livre não é apenas não ser impedido, é poder responder pela própria vida sem esmagar a vida dos outros.

A tradição liberal recordou-nos algo decisivo: nenhuma comunidade justa pode existir sem proteger a consciência, a palavra, a propriedade, a iniciativa e a dignidade de cada pessoa. Contra todos os poderes absolutos, afirmou que há uma zona inviolável onde o Estado, a maioria ou a força não podem entrar. Esse património é precioso e não deve ser relativizado. Sempre que a liberdade individual é sacrificada em nome de promessas coletivas, a história mostra-nos que o resultado costuma ser a servidão.

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