José Miguel Sardica: "Viver e morrer em Portugal"

Em 2018, quando o projeto-lei para a despenalização da eutanásia foi chumbado pelo parlamento português, os seus proponentes lamentaram o resultado da votação, por considerarem que a conquista desse direito era um separador de águas entre a “dignidade” e o “obscurantismo”, a “democracia” e a “sacristia” (sic!).

Quatro anos volvidos, e à terceira tentativa – depois de, há uns meses, o Presidente da República ter suscitado dúvidas sobre a constitucionalidade do diploma – a lei da eutanásia foi finalmente votada. Os adeptos das causas fraturantes, que, neste como noutros temas (vide o aborto), raciocinam de forma maniqueísta, do alto de um libertarianismo radical que absolutiza as prerrogativas do “eu” acima de qualquer outro considerando, reserva ou prudência, exultaram com o desfecho.

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