José Miguel Sardica: "As tribos da América"
A eleição presidencial norte-americana de novembro de 2024 poderá vir a tornar-se o mais surreal, embora o mais determinante, escrutínio dos próximos anos - pelo menos até 2027, quando haverá presidenciais em França.
O atentado contra Donald Trump foi um facto novo e diversamente interpretado. No “mainstream” anti-trumpista, tentou-se primeiro a negação (o candidato caíra no palco ou tinha havido tiros no comício…), e depois a responsabilização (Trump fora quase vítima do discurso de ódio que espalhara na América, sobretudo desde a autoria moral do ataque ao Capitólio em janeiro de 2021…). Só a custo se reconheceu o óbvio anormal da coisa. Há mais de quarenta anos que cenas destas não se viam na maior democracia do mundo, desde que, em 1981, um fanático de Jodie Foster a quis impressionar disparando sobre Ronald Reagan. Os EUA têm alguma tradição de atentados contra presidentes ou candidatos, bem-sucedidos (Lincoln, Garfield, McKinley, os dois Kennedy), ou falhados. Mas os tempos da guerra civil, do anarquismo, da tensão racial ou das grandes conspirações já lá vão. Ou se calhar não.
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