José Miguel Sardica: "Spínola e a “luz-verde” para Abril"

A longa carreira militar do General António de Spínola nas fileiras do regime do Estado Novo culminou no cargo de Governador Militar da Guiné, por convite direto de Salazar, em 1968. Durante mais de cinco anos, entre maio desse ano e julho de 1973, comandando a estratégia, os homens e os recursos no mais difícil palco da guerra colonial portuguesa, Spínola reforçou o seu inigualável carisma, exibindo, em Bissau ou no mato, as botas altas, o pingalim, as luvas brancas e o monóculo que lhe compunham a figura. Ao mesmo tempo, lutando embora pela defesa do ultramar português, compreendeu o que em Lisboa Marcelo Caetano não via, ou não queria ver: que o integrismo militar já não servia para o “Vietname português” e que o futuro estava em montar uma solução autonómica e federalizante para as províncias ultramarinas, com vista a uma hipotética Comunidade Lusíada. Quando, da metrópole, lhe sabotaram os esforços de abertura de vias negociais com o inimigo (através de Léopold Senghor), Spínola zangou-se com o status quo e renunciou a ser reconduzido no cargo, regressando a Lisboa.

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