José Miguel Sardica: "Prisioneiros do discurso"
Podem as palavras que pronunciamos criar a realidade que queremos que exista? Tem o discurso o poder demiúrgico de produzir o mundo em que nos movemos? Desde a chamada “viragem linguística”, que chegou ao campo das humanidades e das ciências sociais há já bem meio século e, sobretudo, na epistemologia pós-moderna, acredita-se que sim. Acredita-se, aliás, como corolário disto, que nada há senão “discurso” e que não existe, portanto, qualquer realidade granítica e incontornável para lá do que dizemos sobre as coisas. Isto parece uma charada, mas tem consequências bem palpáveis…e complicadas.
Em política, e para as esquerdas portuguesas, o discurso é tudo, porque o que interessa são as “narrativas” com que se determina a forma como todos devem perceber o real, independentemente de elas serem verdadeiras ou falsas e de a realidade as confirmar ou infirmar. Por isso, as esquerdas vivem no paraíso dos eufemismos e das linguagens inclusivas. Começou-se pela substituição do cego pelo invisual ou do velho pelo idoso e já se vai nos “seres gestantes” em vez de mães e nos “centros de nascimento” em vez de maternidades. Nestes domínios, o disparate é infindável.
Artigo completo disponível na Renascença.
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