José Miguel Sardica: "Portugueses de plástico"
A reportagem passou há dias na televisão. A PSP entrou num prédio da rua do Benformoso, onde funcionava um restaurante chinês clandestino. O cozinheiro ou empregado, que ali parecia residir, exibiu ao polícia um Cartão de Cidadão português e, confessando não saber uma palavra de português (nem de inglês), embrulhou-se em gestos explicativos sobre a casa-que-afinal-é-restaurante.
O pressuposto de que parto para considerar este tipo de factos preocupante vem da história de todos os processos de formação e aculturação das identidades nacionais modernas: é-se cidadão de um qualquer país a partir de um dado espaço de fronteiras, história, língua, cultura, valores e evolução, como membro de uma comunidade real e projetada, na qual somos mais do que apenas um corpo vivente com a nacionalidade averbada no título de cidadania em uso. O nacionalismo histórico (que não é o mesmo que nacionalismo exacerbado, xenofobia ou racismo), foi sempre mais sólido, porque mais profundo, do que nacionalidades efémeras, contratualistas ou artificiais. Aliás, e ao contrário do que nos vendem os globalistas pós-pátrias, a democracia requer o Estado-nação, porque ela precisa de uma cultura e de ritos partilhados, que operacionalizem consensos em torno de um passado, presente e futuro comuns.
Artigo completo disponível na Renascença.
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