José Miguel Sardica: "​Os legados do século XX nas guerras do século XXI"

Quando começou a presente era da incerteza? Na aparência, a mais antiga das guerras que ensombram o nosso mundo – a russo-ucraniana – começou a 24 de fevereiro de 2022; a mais recente – a americano-iraniana, com a subespécie de Israel contra o Hezbollah – teve o seu ensaio geral em junho de 2025 e a sua recente escalada a partir de 28 de fevereiro de 2026. A “operação militar especial” de Putin na Ucrânia já ultrapassou em duração a I Guerra Mundial; o conflito entre Washington e Teerão, por causa do nuclear iraniano e do estreito de Ormuz e envolvendo aliados económicos ou “proxys” terroristas, tem agora um cessar-fogo anunciado, que poderá, ou não, verter-se numa paz mais duradoura dentro de 60 dias, se ninguém o sabotar até lá.

Isto, contudo, é só a micro-história. Em história não há inevitabilidades, mas a espuma dos dias faz muitas vezes perder a noção das possibilidades. Para a Rússia, a invasão “full-scale” da Ucrânia foi apenas a decorrência da política neoimperialista de Vladimir Putin, filha da orfandade da década perdida de Boris Ieltsin e do complexo de cerco com que a retórica do Kremlin malsinou a opção europeísta (NATO e UE) do Leste e de antigas repúblicas da URSS. Putin estreou-se na Chechénia, revelou-se na Geórgia e radicalizou-se na Crimeia, em 2014, e na guerra híbrida que lavrou no Donbass desde então até 2022. 

Artigo completo disponível na Renascença.