José Miguel Sardica "O roubo das almas"

Durante a Guerra Civil de Espanha, após a tomada do País Basco pelas forças nacionalistas de Franco, a resistência republicana, com auxílio britânico e soviético, começou a retirar crianças e jovens das cidades e aldeias daquela região ocupada, e a enviá-las para Inglaterra e para a URSS, para ali serem educadas, longe da influência clérigo-fascizante (assim se denunciava) do nascente franquismo. Em Portugal, a imprensa salazarista, alinhada com a causa do general Franco, apressou-se a denunciar essa debandada, referindo-se-lhe com a expressão “roubo das almas” – entenda-se, as “almas” infantis estavam a ser “roubadas” à cruzada moralizadora franquista, e iriam ser educadas no credo da democracia ou no credo do comunismo, dois desvios que o autoritarismo salazarista condenava como identicamente maus.

«O roubo das almas» é um título de um livro de Valentim Alexandre sobre a inserção internacional do Estado Novo nos tempos da Guerra Civil de Espanha. Mas não é sobre isso que versa o meu argumento. Lembrei-me da expressão, e invoco-a, a propósito do caso mediático da família Mesquita Guimarães.

Artigo completo disponível na Renascença.