José Miguel Sardica: "O pântano"

Há 20 anos, depois de uma desprestigiante, mas no fundo inócua, derrota nas eleições autárquicas, o então primeiro-ministro António Guterres resolveu deitar-se abaixo do poder, declarando não querer mais contribuir para o “pântano”. Se não antes, a palavra entrou então para o léxico político nacional – como dali a pouco, em 2003, entraria a “tanga”, vestimenta minimal com que se descreveu o país em contração financeira no tempo de Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite.

O “pântano” – e vamos ver se não também a “tanga” – veio-me à memória assistindo ao frente-a-frente parlamentar da semana passada, o primeiro desta nova legislatura. A bancada do PS brilhou na bajulação ao chefe, bem comandada por Eurico Brilhante Dias. As bancadas da oposição cerraram fileiras, com gradações de intensidade diferente, e destaque (já esperado) para a barragem verbal do Chega. O orador mais importante foi, claro, António Costa, porque o frente-a-frente do estado do país consiste nesse justo e democrático interrogatório ao primeiro-ministro, cujo governo é responsável perante a Assembleia da República.

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